Flintintim
No passado dia 28 de
agosto, recebi de uma pessoa amiga, MHC, uma fotografia de um inseto, com a
indicação de ter sido a primeira vez por ela observado.
Mal o vi, a minha
mente recuou sessenta anos e identifiquei imediatamente a espécie como sendo um
flintintim, uma borboleta que via na Rua do Jogo da Ribeira Seca, em Vila
Franca do Campo, a voar atraída pelas luzes das lâmpadas da iluminação pública.
À falta de melhor
passatempo, os rapazes capturavam os flintintins. Como estas borboletas possuem
uma tromba longa para sugar o néctar das flores mais profundas, atavam-lhes uma
linha de costura nessa mesma tromba e percorriam as ruas a fazê-las voar, mantendo-as
presas.
Numa pergunta que fiz
numa das redes sociais, pedi o nome pelo qual era conhecida a borboleta. Para
além do nome que eu conhecia, apresento de seguida alguns dos nomes indicados:
besouro, borboleta-caveira, borboleta-da-batata-doce, bicho-da-batata-doce,
flinto-grande e ferrintintim.
O flintintim (Agrius
convolvuli) é uma borboleta noturna que, embora normalmente vista ao
anoitecer, por vezes pode ser observada de dia.
A espécie, de origem
subtropical, encontra-se nos Açores desde o século XVI.
As larvas da Agrius
convolvuli alimentam-se de folhas de convolvuláceas, podendo causar alguns
estragos na batata-doce.
No meu apiário,
localizado na Ribeira Nova, em Vila Franca do Campo, tenho encontrado algumas a
tentar entrar nas colmeias para se alimentarem de mel, mas sem sucesso,
acabando por ser mortas pelas abelhas.
A.H. Botelho
comunicou que se lembra «de os ver, depois de mortos, colocados no interior da
porta da rua fixos com um alfinete». Segundo Carreiro da Costa, tal acontecia porque
se acreditava que, «juntamente com uma ferradura, liberta[va] os donos da casa
do "mau olhado"».
Aconselho, a todos os
que quiserem saber mais pormenores sobre o flintintim, a leitura do livro do
biólogo Virgílio Vieira, Borboletas dos Açores: Papilionoidea e Sphingoidea,
do qual já saíram duas edições, a primeira em 2006 e a segunda em 2009.
Pico da Pedra, 31 de
agosto de 2026
Teófilo Braga







