domingo, 23 de março de 2025

Virusaperiódico (88)

 



Virusaperiódico (88)

 

No dia 19, estive a pesquisar no jornal “Em Marcha” e a investigar sobre a possível existência em São Miguel de uma planta do género Ficus. Recebi hoje a péssima notícia de que o Ilhéu de Vila Franca do Campo está fora das águas balneares costeiras para 2025. A culpa é das gaivotas ou do desleixo dos “governantes”?

 

No dia 20, de manhã continuei as pesquisas iniciadas no dia anterior e de tarde estive em Vila Franca, na terra. Observei na Ribeira Nova que as abelhas estão a trabalhar muito bem, que uma acácia enorme havia sido tombada pelo vento e que as aves estão a papar as nêsperas. Todos têm o direito a estar de barriga cheia!

 

No dia 21, Dia Internacional da Floresta, estive na Escola Secundária da Ribeira Grande onde participei na atividade “Camões: a palavra, a imagem e o gesto”. Apreciei muto a participação ativa dos alunos, assisti à plantação de duas pitangueiras e visitei  a estufa escolar que está muito bem trabalhada. Parabéns aos alunos, professores e funcionários envolvidos.

 

No dia 22, estive na Ribeira Nova a ajudar a fazer uma vedação e a cortar a acácia que estava tombada. Quando chegou ao meio-dia as forças já eram muito poucas, mas não tive outro remédio senão continuar a trabalhar. As prosas de Antero de Quental ficaram na mochila à espera de outra oportunidade para serem lidas.

 

Nos períodos em que a motosserra estava a repousar só se ouviam o chilrear das aves e o zumbido das abelhas (https://www.youtube.com/watch?v=iRLsX7NguxE)

 

22 de março de 2025

sexta-feira, 21 de março de 2025

A propósito das plantas na obra de Camões

 



A propósito das plantas na obra de Camões

 

(Apontamentos para a sessão realizada, na Escola Secundária da Ribeira Grande, no dia 21 de março de 2025)

 

1º slide- Mostra-nos uma vidália, espécie endémica dos Açores, protegida por lei.

 

2º slide- Jorge Paiva, Botânico e Biólogo Jubilado da Universidade de Coimbra, 91 anos. Ainda hoje passa treze horas por dia no seu gabinete e está a preparar um livro sobre as plantas na obra de Camões que deve sair em breve. O meu trabalho sobre plantas usadas na medicina popular nos Açores em parte deve-se à sugestão que ele me fez para fazer inquéritos junto da população e a apresentação que faço hoje baseia-se num texto da sua autoria.

 

3º slide- Como selecionei as plantas para este trabalho? Consultei o texto “As plantas na obra poética de Camões (épica e lírica) de Jorge Paiva que faz parte da publicação “Humanismo Ciência- Antiguidade e Renascimento” e depois fui verificar quais das plantas por ele mencionadas estavam nos livros “Árvores dos Açores” e “Plantas usadas na medicina popular nos Açores”, tendo selecionado 22 plantas. Camões nos Lusíadas refere cerca de 50, a maioria asiáticas e aromáticas; na Lírica menciona cerca de 30, a maioria europeias, campestres e ornamentais

 

4º slide- Alho (Adivinha)

Qual a coisa qual é ela,

Que tem barbas como home,

Tem dentes e não come?

 

5º slide- Castanheiro, introduzido no século XVII.

(Cancioneiro, Ferreira Moreno)

Encostei-me ao castanheiro,

Das folhas fiz um encosto,

Tenho visto caras lindas

Só tu foste a do meu gosto

 

 

6º slide- Erva-das-verrugas, andorinha, erva de golpe

         Não deve ser usada em feridas profundas. Usava-se para acabar com os “cravos”

 

7º slide- Laranjeira-azeda

A laranjeira (género Citrus) foi introduzida no século XVI

Atirei c´uma laranja

À menina da janela

A laranja caiu dentro,

Ó menina, quem na dera.

 

8º slide- Limoeiro

A madressilva cheirosa

Anda no seu limoeiro,

Anda de ramo em raminho,

Se cae no chão, perde o cheiro.

9º slide- Cipreste

Introduzido no século XIX

 

10º slide- Faia, Faia-europeia

Nos Açores há uma espécie nativa a faia-da-terra que é usada em sebes

 

11º slide- Figueira

Não é correta a informação desta quadra, pois as flores existem e estão no interior daquilo que designamos por figo.

Quero ir para a figueira

Já que não tenho amor;

Que a figueira é árvore

Que dá fruto sem dar flor.

Que tal uma pesquisa na internet para saber como é feita a polinização das flores das figueiras?

 

12º slide- Alface

Bom alimento e calmante

 

13º slide- Louro

Há um louro ou loureiro endémico, no passado usado para extração do “azeite” de baga de louro usado na alimentação e em mezinhas nas fogueiras de Santa Antão e de São João

São João é divertido

Amigo das brincadeiras

Abençoa as criancinhas

Quando saltam as fogueiras

 

De acordo com a “tradição popular que, quem saltar uma fogueira na noite de S. João, em número ímpar de saltos, ficará todo o ano protegido contra todos os males.”

 

14º slide- Hortelã

Hortelã é crueza,

Menina, não seja crua;

Seu pai não a tem pr´a freira,

Aceite quem a procura.

15º slide- Murta

Aquele que estiver doente

Vá tomando chá de murta

Que os remédios da botica

Põem a vida mais curta

Cantador Tenrinho (Terceira):

Eu louvo o desembaraço

Da medicina moderna;

A gente queixa-se dum braço

E corta-se logo uma perna

João Caetano da Rocha (Terceira)

Já minha avó me dizia

Pela grande fé que tinha,

Quando não fosse a da morte

Água fria era mezinha.

 

16º slide - Oliveira

 

17º slide- Pinheiro

 

18º slide-Choupo-branco

Terá sido introduzido no século XIX.

A folha do al’mo branco

De noite luz como prata;

Quero falar-te, menina,

A vergonha é que me mata.

 

19º slide-Romãzeira

 

20º slide- Carvalho-roble

 

21º slide- Silva

Introduzida para servir de sebe no século XVI

O silvado na parede

Vai comer à outra banda;

Teus olhos hão-de ser meus,

Ainda que corra em demanda

 

22º slide-Salgueiro

Terá sido introduzido no século XIX

 

23º slide- Trigo

Deus dá o trigo e o milho,

E tudo quanto se come:

Porque há aí tanto filho

No mundo a morrer de fome?

 

24º slide- Ulmeiro

Famoso foi o conjunto existente no Relvão em Ponta Delgada

 

25ºslide- Violeta

 

Bibliografia

Braga, T. (1982). Cantos Populares do Arquipélago Açoriano. Ponta Delgada, 502 pp.

 

Braga, T. (2023). As plantas na medicina popular nos Açores. Ponta Delgada, Letras lavadas. 232 pp.

 

Caixinhas, L. (s/d). Flora da lírica de Camões. https://revistajardins.pt/flora-da-lirica-de-camoes/(consultado no dia 24 de dezembro de 2024).

 

Camões, L. (s/d). Os Lusíadas. Mem Martins, Publicações Europa-América. 427 pp.

 

Ficalho, Conde de (1994). Flora dos Lusíadas. Lisboa, Hiena Editora. 106 pp.

 

Gomes, A. (2017). As flores e o jogo de sedução na lírica camoniana. E-Revista de Estudos Interculturais do CEI-ISCAP, nº5, maio.

 

Moreno, F. (1991). O castanheiro na Madeira e no Cancioneiro (37). In Diário Insular, 12/13 de janeiro.

 

Moreno, F. (2005). Plantas na medicina caseira (1). In Diário dos Açores, 23 de agosto.

 

Moreno, F. (2005). Plantas na medicina caseira (2). In Diário dos Açores, ?.

 

Pavão, J. (1981). Aspectos do Cancioneiro Popular Açoriano. Ponta Delgada, Universidade dos Açores. 316 pp.

 

Quintal, R., Braga, T. (2021). Árvores dos Açores- Ilha de São Miguel. Ponta Delgada, Letras Lavadas. 240 pp.

 

Paiva, J. (2015). As plantas na obra poética de Camões (épica e lírica).  https://books.uc.pt/chapter?chapter=70013 (consultado no dia 24 de dezembro de 2025)

quarta-feira, 19 de março de 2025

Virusaperiódico (87)

 


Virusaperiódico (87)

 

No dia 17, assisti ao Workshop “Criação de herbários criativos com plantas tintureiras dos Açores”, promovido pela Associação Portuguesa de Educação Ambiental, dinamizado pela professora Manuela Galante, tendo como público-alvo alunos do Clube de Expressão Artística da Escola Secundária da Ribeira Grande.

 

Comecei o dia 18 a fazer pesquisas no Jornal “Avante”, tendo como objetivo encontrar notícias sobre os Açores entre junho de 1975 e o final de 1980. Felizmente o jornal está digitalizado e ao dispor de todos os investigadores.

 

Depois de muita preguiça recebi a boa notícia de ter sido dado um passo importante no México para o fim da tauromaquia. Num comunicado da Animal pode ler-se o seguinte:

“O Congresso da Cidade do México aprovou uma reforma que proíbe a morte e o uso de instrumentos perfurantes em touradas, permitindo que os touros retornem às ganadarias sem serem feridos ou mortos. Além disso, o tempo de cada apresentação será limitado a 10 minutos por touro.

Os tauromáquicos estão furiosos. Porquê?

 

Porque sem sangue, sem objectos contundentes e sem a morte do touro, a essência cruel da tourada começa a ruir. A indústria sabe que este pode ser o princípio do fim. A violência hoje escalou nas ruas da Cidade do México, tanto assim que as/os activistas não tiveram a sua segurança assegurada para chegarem ao Congresso.

 

Não podemos ignorar o impacto global desta decisão: se isto acontece no México, que é “rei” da tauromaquia, claramente mexe com todas as estruturas da indústria e afecta todas as outras regiões onde a tauromaquia ainda sobrevive.

 

Seguimos firmes na luta pelo fim da tauromaquia! Mas hoje, reconhecemos que este passo é uma derrota para os exploradores e um avanço para os animais.

 

Abolição total, sempre! Sabemos que o caminho até lá já começou e que não há volta atrás “

 

A(s) má(s) notícia(s), mas que não é (são) novidade, são os massacres cometidos pelo exército israelita em Gaza. Terroristas são sempre e só os outros!

 

18 de março de 2025

segunda-feira, 17 de março de 2025

domingo, 16 de março de 2025

Virusaperiódico (86)

 


Virusaperiódico (86)

 

No dia 12, de manhã estive a fazer tarefas domésticas e de tarde participei num “webinar” promovido pela ASPEA-Associação Portuguesa de Educação Ambiental.

 

Comecei o dia 13 a realizar atividades de voluntariado ambiental e de tarde estive em Vila Franca do Campo, onde colhi algumas nêsperas, mas bananas nem por um canudo!

 

No livro “Cantos Populares do Arquipélago Açoriano”, coligidos e anotados por Teófilo Braga, li o seguinte:

Eu sou o março,

Que sempre marcejo,

Farto as terras

De água a desejo.

 

Farto também ando eu com tanta chuva!

 

Quase todo o dia 14 foi ocupado com a recolha de informações sobre as plantas no Cancioneiro Popular dos Açores. Li num jornal que parece está a ter êxito o combate à vespa asiática. Espero que sim, mas talvez ainda seja cedo para ficarmos descansados.

 

Comecei o dia 15 a fazer pesquisas no jornal “O Grito do Povo” e, coisa rara, li alguma poesia, desta vez de Carlos de Oliveira. Para recordar que fui professor de Física e Química, aqui fica o seu poema Lavoisier:

 

Na poesia,

natureza variável

das palavras,

nada se perde

ou cria

tudo se transforma:

cada poema,

no seu perfil

incerto

e caligráfico,

já sonha

outra forma

 

Devido ao mau tempo só consegui estar a trabalhar na terra, em Vila Franca do Campo, até às 11horas. Ajudei a fazer uma vedação e estive a cortar canas e conteiras.

 

De tarde, voltei à leitura das “Prosas”, de Antero de Quental e fiquei a conhecer posições disparatadas: um partido quer acabar com o ordenamento do território, disparate ou negociatas? Outro partido quer pescas nas áreas marinhas de proteção total. Se é total, não é parcial! Defesa de convicções ou de interesses?

 

O dia 16, domingo, foi passado a correr roupa, a pesquisar em jornais da década de 80 e a preguiçar. Estou farto deste Inv(f)erno!

 

16 de março de 2025

 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Sobre a Delegação dos Açores do NPEPVS-DA

 


Sobre a Delegação dos Açores do NPEPVS-DA

 

No arquipélago dos Açores, antes da Delegação dos Açores do NPEPVS-DA-Núcleo Português de Estudos e Proteção da Vida Selvagem, existiram duas organizações de algum modo ligadas à natureza, o CJN-Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria e “Os Montanheiros”, da ilha Terceira, mas nenhuma delas teve uma intervenção social digna de registo. Com efeito, enquanto o CJN se limitava ao estudo e à divulgação do património natural, “Os Montanheiros”, apresentavam um carácter meramente desportivo e de ocupação dos tempos livres. O NPEPVS-DA, por seu lado, foi mais além, isto é, procurou associar as duas vertentes: a educação não formal dos cidadãos e a intervenção pública junto das entidades governamentais.

Tendo como principais dinamizadores, Duarte Furtado e Gérald Le Grand, em janeiro de 1982, começou a funcionar, em São Miguel, uma delegação totalmente autónoma do NPEPVS- Núcleo Português de Estudo e Proteção da Vida Selvagem, organização fundada em 18 de dezembro de 1974, sediada na cidade do Porto e com delegações em Bragança, Coimbra e Lisboa.

Eram objetivos principais da delegação, entre outros, promover ou apoiar estudos sobre a fauna e a flora, realizar campanhas de sensibilização e interceder junto das entidades oficiais.

Na circular nº 1 de abril de 1982, o NPEPVS-DA anunciava as atividades previstas para aquele ano, de que se destaca a comemoração do Dia Mundial do Ambiente, uma campanha para a proteção das aves de rapina (milhafre e mocho) e conferências para divulgação do Património Natural dos Açores.

Em maio de 1982, a delegação do NPEPVS, cujo contacto era o da Universidade dos Açores, já disponibilizava aos associados e a todos os interessados, uma biblioteca e diverso material de divulgação e didático, como filmes, livros, posters, autocolantes e folhetos sobre a fauna e a flora.

Em junho de 1982, o delegado Duarte Soares Furtado, enviava aos responsáveis de ilha um documento de informação e divulgação sobre a Estratégia Mundial da Conservação. No mesmo mês, foram divulgados os nomes dos associados que tinham sido indigitados para responsáveis de ilha, respetivamente Gérald Le Grand, São Miguel, Dalberto Teixeira Pombo, Santa Maria, Teófilo Braga, Terceira, Maria José Silveira, São Jorge e Eduardo Carqueijeiro, Faial e Pico. Era competência de cada responsável de ilha, angariar o número máximo de sócios, informar a sede sobre os problemas concretos de cada ilha, interferir junto das autoridades regionais, no sentido de uma verdadeira proteção do ambiente e remeter bimensalmente para a sede os relatórios das atividades efetuadas em cada ilha.

No mesmo mês foi enviada aos responsáveis de ilha uma lista de livros que poderiam ser emprestados através da Bird Bookshop- Scottish Ornithologists’ Club. Os livros podiam ser pedidos diretamente para Inglaterra ou através da Delegação.

Em julho de 1982, foi envido aos responsáveis de ilha um documento sobre os Princípios e Funcionamento da CODA- Coordinadora para la Defensa de Las Aves, Secção Espanhola do Conselho Internacional para a Preservação das Aves (ICBP).

Em agosto de 1982, foi enviado aos responsáveis de ilha, para darem conhecimento a todos os associados e demais interessados, um caderno da série “Discussion Papers in Conservation”.

No mesmo mês, os responsáveis de ilha receberam o artigo “Baleia: ainda ameaçada apesar da reunião de Brighton”, da autoria de Luís Pinto Enes, publicado no semanário Expresso, de 31 de julho de 1982.

Na primavera de 1983, foi editado o primeiro número do boletim “Priôlo”, com 24 páginas. Logo na primeira página, Duarte Furtado, explica a razão da escolha do nome que era o de uma espécie endémica dos Açores, única no mundo, bastante ameaçada de extinção. O boletim publica os textos: “Entomologia da idade média ao século XIX”, condensado por João Tavares a partir do livro Entomologia Geral, de Zilkar Maranhão, publicado em 1976, “Baleias! Eliminada a ameaça de extinção?”, de Teófilo Braga, membro do Grupo Luta Ecológica e dos Amigos da Terra, “O Milhafre (Buteo buteo) a nossa única ave de rapina diurna”, de Fátima Melo, “Paisagens Protegidas”, de Rolando Cabral, da Divisão do Ambiente da SRESocial, “Contra a Enxaqueca”, de Gerald Le Grand, “Plantas e saúde- A acácia”, de Dalberto Teixeira Pombo, do Centro de Jovens Naturalistas de Santa Maria, e “À mente humana”, de Mário Pinhal, do Grupo Ecológico da Universidade dos Açores.

No mesmo número do boletim, Geráld Le Grand relata o avistamento de um bando de uma nova espécie, o lugre (Carduelis spinus) que poderia tornar-se uma nova espécie para os Açores e são publicadas pequenas notícias, nomeadamente de observações de aves, como a de uma poupa em Santa Maria, pelo sr. Dalberto Pombo ou a da chegada dos cagarros à freguesia dos Mosteiros, em 23 de fevereiro de 1983, por Daniel Melo.

No dia 8 de fevereiro de 1983, por iniciativa do NPEPVS-DA, realizou-se uma conferência com projeção de slides sobre “O Mercantour”, um Parque Nacional francês com 68 500 hectares.

Em abril de 1983, foi publicada uma folha informativa em defesa das aves de rapina. Por não ter perdido atualidade, transcreve-se três das razões pelas quais as mesmas são úteis na natureza:

“- a cada uma que morre corresponde um aumento de proliferação de ratos, répteis e insetos, que fazem parte da sua alimentação habitação;

 

- grande parte das peças de caça que matam, é constituída por indivíduos doentes, feridos ou mais fracos;

 

- cada animal doente que as aves de rapina deixam de eliminar pode ser um foco de infeção para cada sadia.”

Com data de 12 de abril de 1983 foi divulgada uma circular onde são dadas notícias sobre a campanha de angariação de novos sócios e sobre a distribuição do boletim “Priôlo”. Na mesma circular foi publicado um texto sobre os golfinhos (toninhas) que continuavam a ser alvo de massacres e atrocidades cometidas pelo “homem”. No referido texto pode-se ler o seguinte:

 “A Delegação dos Açores do NPEPVS opõe-se frontalmente à continuação deste morticínio, exigindo das entidades responsáveis e competentes a imediata publicação da lei que permita a salvaguarda de tal espécie.

 

Apelamos desde já a todos os nossos Consócios para diligenciarem junto das comunidades piscatórias sobre as razões por que não se deverá abater tão bela espécie de manífero marinho.”

 Em maio de 1983, o NPEPVS-DA esteve presente, no hangar da marinha, na Exposição-Feira de Artesanato, com um pavilhão com material informativo, alertando para a importância de proteger a vida selvagem.

A 18 de junho de 1983, no âmbito das festas em honra de São João, foi inaugurada, em Vila Franca do Campo, a sede do NPEPVS, localizada na rua Padre Manuel José Pires, 11-13, na freguesia de São Pedro. A inauguração contou com a presença de António Daniel Carvalho Melo, presidente da Câmara Municipal e de Vasco Garcia, em representação do reitor da Universidade dos Açores.

No dia 16 de dezembro de 1983, o NPEPVA-DA promoveu uma exposição de cartazes alusivos à proteção do ambiente, no Externato Maria Isabel do Carmo Medeiros, na Povoação.

Na ocasião foram projetados slides e dois filmes. Na exposição que foi visitada por cerca de 500 pessoas, estiveram à venda autocolantes sobre avifauna e foram distribuídos panfletos sobre a importância da conservação das aves de rapina.

 

Nos dias 30 e 31 de dezembro de 1983 e 1 de janeiro de 1984, esteve patente ao público, na sede da Junta de Freguesia do Pico da Pedra uma exposição de cartazes com o objetivo de sensibilizar a população para a necessidade e o dever de proteger o ambiente.

 

Esta exposição do NPEPVS-DA, foi visitada por cerca de 110 pessoas e foi amplamente divulgada junto dos órgãos de comunicação social, tendo a RTP-Açores transmitido imagens da mesma no dia 30 de dezembro.  Para que a exposição fosse possível, o NPEPVS contou com a colaboração de várias pessoas da freguesia, como o carpinteiro José Ventura Almeida que cedeu material diverso e algumas horas de trabalho. Igualmente foi indispensável o trabalho de Lúcia Oliveira Ventura, Maria José Almeida, Maria de Lurdes Ventura e Paula Almeida.

 

O segundo número do “Priôlo”, com 40 páginas, surgiu em março de 1984. No “edital”, Duarte Furtado apela à colaboração de mais pessoas para “darmos o exemplo da completa defesa e preservação da fauna e flora da nossa região, grandemente ameaçadas, se medidas concretas de salvaguarda não forem desde já postas em marcha” e acrescentou que “o que, desinteressadamente, pudermos fazer em prol da sociedade, é certamente o que amanhã nos dará por certo uma maior alegria, permitindo ao mesmo tempo encarar o dia a dia, imensas vezes desgastante”.

 

No referido boletim, Margarida Medeiros, da Divisão de Ambiente da SRES, publica um “Alerta- A nossa flora corre perigo”, Teófilo Braga, escreve contra a caça à baleia, Geráld Le Grand publica um pequeno texto sobre o priôlo, António Frias Martins escreve sobre “O ilhéu de Vila Franca”, Erik Sjogren é autor de um artigo sobre “Plantas dos Açores”, Fátima Melo escreve sobre a nossa ave de rapina noturna “O mocho”, Rolando Cabral escreve sobre “A Vida na Cidade”, Dalberto Pombo é autor do texto “Plantas e Saúde- a salsa”, Maria Furtado assina o texto “A importância dos espaços verdes nos Centros Urbanos” e Geráld Le Grand é autor do texto “«Satus» e Distribuição da avifauna nidificante no arquipélago dos Açores”.

 

No boletim é também referido o início de uma campanha em defesa das aves de rapina e são dadas a conhecer algumas informações, nomeadamente de avistamentos de aves, como um falcão (Falco tinnunculus) na zona do Pico das Camarinhas, em São Miguel, no dia 18 de janeiro de 1984, ou a chegada dos pardais (Passer domesticus) à ilha das Flores.

 

Com data de 25 de maio de 1984, foi lançado uma folha informativa com um texto intitulado “Porque se anilham aves?”., extraído de uma folha informativa do CEMPA.

 

Por último, a 6 de junho de 1984, foi enviada ao todos os sócios a informação de que os mesmos poderão passar férias, apenas durante o verão, na ilha de Lanzarote, nas Canárias, bastando para tal colaborar em trabalhos domésticos.

 

O terceiro número do boletim não chegou a ver a luz do dia, mas através da consulta do material que já havia sido recolhido, fica-se a saber que o mesmo contaria com um novo colaborador, o Eng.º. Fernando Monteiro com um texto intitulado “Mensagem”. Pelo seu conteúdo, transcreve-se um extrato:

 

 “A conceção de uma sociedade progressiva, justa, equilibrada, hoje mais do que nunca, passa pelo melhor uso da natureza, logo no entendimento e respeito pela sua integridade e pela compreensão da sua inocuidade.

Mas os inimigos da natureza são inúmeros e ameaçadores.

Nos Açores a dinâmica vertiginosa da pecuária é, por exemplo, a maior ameaça ao equilíbrio natural.”

 

O mesmo número contaria com um texto de Paulo Alexandre Vieira Borges intitulado “Espeleologia nos Açores”, com a colaboração de Geráld Le Grand com o texto “Azores tern expedition” e de Dalberto Pombo intitulado “Plantas e Saúde- o girassol”. Estava também prevista a saída de um escrito intitulado “Como e porquê se anilham aves?”, extraído de um folheto informativo do Centro de Estudos de Migrações e Proteção de Aves”.

Teófilo Braga

(associado nº 9 da Delegação dos Açores do NPEPVS)