Virusaperiódico (197)
Depois de alguns dias
a repousar, passei o dia 22 de agosto nas Furnas num workshop de fibras a
aprender a empalhar uma garrafa com recurso a vimes. Estou a preparar-me para
morrer “sábio”. No início da noite
assisti a um concerto dado por dois pico-pedrenses, no Largo da Juventude.
Ainda de madrugada,
no dia 23 de agosto, estive a ler sobre Jaime Brasil um libertário terceirense
que foi um dos maiores jornalistas portugueses do seu tempo, que lutou contra o
conservadorismo da ditadura salazarista em Portugal e que se correspondeu com o
autonomista que aderiu ao Estado Novo, José Bruno Tavares Carreiro. De manhã,
dediquei algum tempo ao ativismo ambiental que para uns tansos é a causa de
todos os males.
Durante a tarde,
estive a preparar tomates para serem desidratados e coloquei na terra, sementes
de chocalheira, de papaeira e de uma planta ornamental cujo nome comum
desconheço, mas que apresenta o seguinte nome científico: Diploglotis
cunninghamii.
No dia 24 li alguns
capítulos do romance autobiográfico de Vitorino Nemésio intitulado “Varanda de
Pilatos” e fiz algumas limpezas no quintal. Li que na sociedade portuguesa as
desigualdades aumentam, um dos sinais está no facto de apenas 3% dos estudantes
pobres terem conseguido entrar para a universidade.
O dia 26 foi ocupado
na sua totalidade com leituras diversas de textos de ou sobre Jaime Brasil.
Comecei o dia 27 a
fazer um rascunho sobre a correspondência entre Jaime Brasil, libertário, e
José Bruno Carreiro, autonomista conservador. De manhã voltei a trabalhar na
terra, no quintal. Mondei, rocei e podei uma sebe de sabugueiros.
27 de agosto de 2026


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