sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Virusaperiódico (55)

 



Virusaperiódico (55)

 

No dia 25 de novembro, de manhã andei em pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e de tarde, depois de alguns trabalhos em casa, li o pequeno livro “A Fonte Luminosa- sobre o 25 de Abril e o Soarismo”, de Godofredo de Vera-Cruz, pseudónimo de Francisco Nunes.

 

Não percebo por que passou a ser este dia comemorado por políticos, alguns dos quais também foram derrotados no 25 de novembro de 1975, e não se celebra o 11 de março de 1975 e o 28 de setembro de 1974. Farto de comemorações!

 

No dia 26, trabalhei na revisão de alguns textos do livro que está para vir e li umas páginas de um livro sobre a autossuficiência e a vida no campo escrito em 1907. O seu autor foi Bolton Hall e o título é “Três hectares de liberdade”.

 

Comecei o dia 27 a ler os títulos dos jornais regionais e a seguir dei o habitual passeio com os cães. Há dias em que posso livremente fazer o que quero, outros como hoje tinha quatro eventos, por coincidência de horários fui forçado a fazer escolhas.

 

Recebi mais um livro, desta vez da autoria de Adélio Amaro sobre o acidente aéreo ocorrido na Algarvia em 1949.

 

Comecei o dia 28 a rever alguns textos para o livro que terá por título “Plantas Maravilhosas”. Agora o trabalho vai ser selecionar fotografias, pedir a amigos as que não tenho ou que tenham melhor qualidade e completar a redação da introdução, etc. Tenho trabalho para alguns longos dias…

 

Comecei o dia 29 a ler dois textos do livro “Intervir na Paisagem”, do arquiteto paisagista Fernando Pessoa. O primeiro, com o título “Jardins Sustentáveis e Vegetação Local” e o segundo intitulado “E a Madeira? O ciclo infernal do fogo e da chuva”.

 

Li num jornal que a homenagem a António Borges Coutinho tinha sido promovida pela família e por comunistas. Haja pachorra para aturar tanta ignorância ou voltamos ao tempo da outra senhora (fascismo) em que quem não pensava como eles era comunista ou terrorista? Ler jornais, por vezes, é saber menos!

 

29 de novembro de 2024

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Teixo

 


Sobre o teixo

 

Num texto publicado em 1983, no fascículo II do Volume I da “Iconographia Selecta Florae Azoricae”, A. Fernandes, que foi presidente da Sociedade Broteriana, sobre o teixo (Taxus baccata) escreveu que aquela espécie, que existia na Europa, Argélia, Marrocos, Norte do Irão e do Afeganistão ao Butão, nos Açores podia ser encontrada nas ilhas do Corvo, Flores e Pico.

 

O teixo é uma planta de aspeto arbustivo que pode atingir 14 m de altura. O seu tronco apresenta uma casca castanho-avermelhada, as folhas são aciculares e as flores masculinas são globulares, branco-amareladas, e as femininas são ovais, e de início verdes.

 

Sendo uma planta considerada nativa, A. Fernandes coloca a hipótese de ser “de introdução muito antiga nos Açores e que esta tenha sido feita a partir de sementes levadas pelas aves migradoras que, voando do norte da Europa, faziam escala nas ilhas no seu caminho para Sul ou Oeste”.

 

Gonçalo Telles Palhinha, por sua vez, no Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores, publicado em 1966, já após a morte do autor, sobre a distribuição geográfica do teixo refere que para além de existir nas três ilhas mencionadas, também pode ser encontrado na Madeira e em Portugal continental. Sobre a sua situação em termos de abundância, o mesmo autor refere o seguinte:

 

“Seubert di-la cultivada-in hortis et circa domos- e acrescenta que os habitantes diziam ser espontânea nas montanhas. Devido a cortes quase totais, para aproveitamento da madeira, só existe actualmente nas ilhas citadas, ao que julgo, em pouquíssima quantidade e em via de desaparecimento.”

 

Num texto intitulado “Salvar o teixo dos Açores da extinção”, cuja data desconhecemos, da autoria de Cátia Freitas e Pedro Casimiro, pode ler-se que sobretudo devido à exploração intensiva do teixo para a construção de mobiliário, entre 1450 e 1760, e para uso da madeira como combustível a espécie quase desapareceu de tal modo que só existiriam 5 indivíduos na ilha do Pico.

 

Ao descrever a ilha de São Miguel; Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra, a dado passo ao enumerar as espécies de plantas existentes refere-se aos teixos do seguinte modo:

 

“…ginjas, azevinhos, urzes, tamujos, uveiras,[…] e alguns teixos, que já se vão acabando por serem muito prezados e buscados, para deles fazerem ricas mesas e bordas delas, cadeiras e fasquias para ricos escritórios, que com ele se guarnecem e já agora se ajudam com outros teixos trazidos da ilha do Pico, onde há muitos, e sem eles, suprindo em seu lugar, para as bordas e fasquias, o sanguinho que é também singular pau para isso.”

 

Mas não foi só nos Açores que o teixo foi explorado intensivamente. Com efeito, A. Fernandes referiu que o mesmo aconteceu na Europa. Segundo ele “graças à flexibilidade da sua madeira, o Teixo foi muito utilizado na Idade Média para construir arcos e flechas, funcionando, portanto, as florestas da época dessas árvores como verdadeiros arsenais de guerra”.

 

Num texto intitulado “Teixo: tanto amado como odiado” José Luís Louzada menciona que “as partes verdes desta espécie contêm um potente alcaloide venenoso, a taxina, capaz de causar graves efeitos no sistema nervoso e cardiovascular dos animais, podendo levar à sua morte. A sua toxicidade levou à associação do teixo ao culto dos mortos e tornou-o comum em cemitérios. Mas a morte dos cavalos e burros que acompanhavam os funerais, assim como de outros animais que comiam as suas folhas, acabou por levar a que fossem retirados de cemitérios e igrejas, e eliminados de locais tradicionais de pastoreio” e acrescenta que “embora seja venenoso, o teixo que conhecemos em Portugal é a fonte do precursor do Taxol, um dos medicamentos mais procurados para o tratamento do cancro.”

 

Se foi preciso ter ido à ilha da Madeira para ver um teixo pela primeira vez, em 1990 ou 1991, hoje os amantes das plantas poderão encontrá-lo na ilha de São Miguel, nomeadamente no Jardim António Borges, em Ponta Delgada, que está aberto ao público todos os dias ou no Parque Dona Beatriz do Canto, nas Furnas, que só costuma estar aberto ao público no mês de agosto e no Jardim Antero de Quental, em Vila Franca do Campo.

29 de novembro de 2024

terça-feira, 26 de novembro de 2024

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Cletra

 


Cletra

 

A cletra, verdenaz, (folhado ou folhadeiro, na Madeira) (Clethra arborea Aiton) é uma espécie, da família Clethraceae, oriunda da Madeira, que nos Açores apenas existe na ilha de São Miguel, onde se encontra naturalizada e apresenta um carácter invasivo, isto é, afeta de forma negativa os ecossistemas naturais e seminaturais.

 

Na Madeira, a cletra existe na sua Laurissilva do til (Ocotea foetens) e é considerada extinta nas ilhas Canárias. De acordo com Quintal (2022), como cultivada é possível encontrar a cletra em vários espaços, como o Campo de Educação Ambiental do Santo da Serra, a Quinta do Santo da Serra, o Parque Florestal do Ribeiro Frio, a Quinta Monte Palace e a Quinta Jardins do Imperador.

 

Atualmente, segundo Vieira, Moura e Silva (2020), nos Açores, a cletra é “muito comum na floresta da Laurissilva, ravinas, taludes das estradas e zonas perturbadas; geralmente entre 500-1000 m de altitude.”

 

A cletra é uma árvore pequena que pode alcançar 8 a 10 m de altura, com ritidoma liso, acastanhado ou acinzentado. As folhas apresentam uma coloração verde-pálido, são serradas, glabras na página superior e pubescentes na inferior. As flores, que surgem de agosto a outubro, são brancas, muito aromáticas e dispostas em cachos. Os frutos são cápsulas acastanhadas muito pequenas e felpudas.

 

Como terá chegado a cletra a São Miguel e com que objetivo?

 

Tal como muitas outras plantas, a cletra foi introduzida, na nossa ilha, intencionalmente como ornamental em jardins.

 

Antes de responder à questão, regista-se que segundo Gabriel (2019) os primeiros registos da presença da cletra fora dos jardins foram efetuados por João do Amaral Franco, em 1960, no Espigão dos Bois, no Nordestinho.

 

Sobre a introdução propriamente dita, o botânico sueco Erik Sjögren (1984), escreveu o seguinte:

 

“Foi provavelmente introduzida em São Miguel há cerca de 20 a 25 anos. Alguns exemplares escapados foram encontrados em 1965 pelo autor na Região do Pico da Vara. Em 1982 encontravam-se perfeitamente estabelecidos na Laurissilva e em grandes extensões. É o mais recente exemplo nos Açores das consequências, muitas vezes inesperadas, da introdução de plantas exóticas.”

 

Embora sem qualquer documentação que confirme a data mencionada por Erik Sjögren, conheço um relato onde é afirmado que chegaram em data aproximada à referida plantas vindas da ilha da Madeira para os Serviços Florestais.

 

Apesar do afirmado acima, a verdade é que a presença da cletra a São Miguel já ocorria no século XIX. Com efeito, em 1856, numa lista das principais plantas existentes no jardim de José do Canto já constavam 4 espécies do género Clethra, entre as quais a arborea.

 

De acordo com Jardim, Sequeira e Capelo (2007) para além de ser cultivada em jardins, na ilha da Madeira, “a madeira foi no passado utilizada em embutidos, carpintaria, marcenaria, utensílios domésticos, bem como para lenha. Dos seus caules a população madeirense obtinha bordões, cabos para ferramentas agrícolas e varas para pesca.”

 

Na ilha de São Miguel, a cletra expandiu-se de tal modo que já é possível encontrá-la em quase toda a ilha, não sendo muito comum em jardins e espaços ajardinados.

 

Mas nem tudo é negativo relativamente à presença da cletra em São Miguel. Com efeito, de acordo com Jaime Ramos (2005), a cletra é uma importante fonte de alimento para o priolo (Pyrrhula murina), ave endémica da ilha de São Miguel, durante o inverno, pois as suas sementes são consumidas entre outubro e março.

 

25 de novembro de 2024

domingo, 24 de novembro de 2024

Virusaperiódico (54)

 


Virusaperiódico (54)

 A manhã do dia 21 foi passada a pintar (paredes). De tarde andei por Vila Franca do Campo a colher alguma fruta e visitei uma pessoa amiga na Fajã de Cima que, de acordo com o meu telemóvel, está no fuso horário de Lisboa.

 No dia 22, de manhã dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, a pôr em dia a correspondência e a ler alguns textos do livro que o arquiteto paisagista Fernando Pessoa me ofereceu recentemente. De tarde, voltei à pintura até ficar sem tinta. Acabei o dia a selecionar publicações para depositar na Biblioteca Pública de Ponta Delgada.

Li que o Tribunal Penal Internacional expediu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel. Neste mundo, que anda de pernas para o ar, é mais fácil ele receber um prémio da paz do que ir parar a uma prisão qualquer.

No dia 23, impedido de ir trabalhar na terra, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental e à leitura do romance de José Eduardo Agualusa. Para descansar um pouco a vista estive a ajudar a fazer limpezas na cave.

Comecei o dia 24 a ler sobre Óscar Wilde que escreveu o seguinte: “O progresso é a concretização de Utopias”.  Sobre a “caridadezinha” a seguinte frase tirada da Wikipédia merece uma reflexão profunda:

"[...] a maioria das pessoas estraga suas vidas com um altruísmo insalubre e exagerado - são forçadas a isso, de fato, e assim são estragadas: ao invés de perceber seus verdadeiros talentos, gastam seus tempo resolvendo problemas sociais causados pelo capitalismo, sem eliminar a causa comum deles. Assim, pessoas preocupadas "seria e muito sentimentalmente dão a si mesmas a tarefa de remediar os diabos que veem na pobreza, mas seus remédios não curam a doença: eles meramente a prolongam". Para Wilde, "o objetivo adequado é tentar e reconstruir a sociedade de modo que a pobreza seja impossível".

 O dia foi de alguma limpeza no quintal e de alguns trabalhos domésticos.

Recordo que no dia 24 de novembro de 1906 nasceu o professor, pedagogo e poeta Rómulo de Carvalho/António Gedeão.

 24 de novembro de 2024

https://www.youtube.com/watch?v=DuGbpW-pGYg

sábado, 23 de novembro de 2024

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Virusaperiódico (53)

 




Virusaperiódico (53)

 

Antes do Sol nascer e depois do pôr-do-sol, no dia 18, estive a trabalhar num livro sobre plantas que espero estar pronto para ir para a tipografia no início do próximo ano.

 

De manhã, estando à espera de uma consulta médica, fui avisado da morte de Joaquim Pagarete que conheci há alguns anos quando ele esteve em Ponta Delgada e com quem mantive contacto até recentemente. Da última vez que falei com ele, embora sentisse pela sua voz que não estava bem, notei que havia alguma esperança de recuperação.

 

Joaquim Pagarete, respeitador de opiniões diferentes da sua, foi um exemplo de cidadania e de luta por um mundo melhor, com mais justiça social e mais paz.

 

Acabei a leitura do romance utópico de William Morriz que me foi oferecido, por ocasião do meu aniversário, pelo seu editor Ernesto Rezendes.

 

No dia 19, de manhã, acabei a seleção das plantas para figurarem no próximo livro e selecionei as primeiras fotografias. De tarde, estive a fazer pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada que desta vez foram bem-sucedidas. No fim do dia deliciei-me com a leitura do “Mestre dos Batuques”, de José Eduardo Agualusa.

 

O dia 20 foi dedicado, de manhã às plantas do quintal e a leituras diversas. A tarde foi preenchida com a revisão de textos e com mais uma ida a um hospital para exames médicos.

 

Os correios trouxeram-me boas notícias, ou melhor, duas prendas. O catálogo da exposição “Cores da Terra: a tinturaria nas ilhas”, do Museu Francisco de Lacerda, de São Jorge, e o livro “Intervir na Paisagem”, oferta do seu autor Fernando Santos Pessoa.

 

Triste foi a notícia do falecimento da Céu. A Madeira (e o mundo) perdeu uma apaixonada por plantas e jardins.

 

20 de novembro de 2024

terça-feira, 19 de novembro de 2024

Amoreiras

 


Amoreiras

 

A amoreira ou amoreira-branca (Morus alba L.) é uma planta pertencente à família Moraceae oriunda da Ásia ocidental, mas que foi introduzida em várias regiões. Além da espécie referida, há muitas outras, como a amoreira-preta (Morus nigra L.).

 

As amoreiras terão sido introduzidas na Europa por volta do século VI e em Portugal no século XV. Nos Açores, as amoreiras terão sido introduzidas nos primeiros anos do povoamento, como prova Gaspar Frutuoso (1522-1591) que no seu livro “Saudades da Terra” regista a sua presença em São Miguel em São Roque e na Povoação. O mesmo autor ao descrever a “costa da ilha de Santa Maria, pela banda do norte, das Lagoinhas até ao Castelete, donde se começou e acaba”, escreveu o seguinte: “Nas quais há terras de pão, que poderão ser sete até oito moios, com muitas árvores de fruta e figueiras e amoreiras.”

 

As várias tentativas para incrementar a indústria da seda em São Miguel, nos séculos XIX e XX, não tiveram êxito.

 

A maior terá ocorrido no século XIX através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense que incentivou o cultivo de amoreiras. A título de exemplo, no nº1, relativo a 1848, da sua publicação mensal “O Agricultor Michaelense” foi publicada a informação de que aquela sociedade possuía seis mil pés de amoreiras de 3 anos para distribuir.

 

No século XX, o micaelense Jaime Hintze, realizou várias experiências com amoreiras nas suas propriedades, tendo só na Gorreana plantado duzentas da variedade Moretti.

 

Sobre o assunto é muito interessante a comunicação que fez, em 1938, no Primeiro Congresso Açoreano, realizado em Lisboa. Da mesma, abaixo transcreve-se um extrato:

 

«Eu mesmo fiz experiência na Gorreana, neste caso simplesmente para ver de quanto era capaz, quanto à cultura da amoreira, o terreno de São Miguel, e obtive três colheitas. A amoreira vegeta de tal forma que poderá facilmente dar quantidades de folhas desde o mês de Abril a Setembro e o bastante para que se possam criar três culturas de sirgo, o que é muito importante. A planta em três anos está já em plena produção.

 

A sericicultura, é uma indústria caseira, o que tem demonstrado várias tentativas infrutíferas quando se desejou industrializar a educação do bicho-da-seda. Até isso convém, pois espalha-se a cultura por toda a parte, indo a remuneração a todos os recantos da ilha.

 

Seria ela uma forma de contrabalançar a falta de emigração que se vem notando na Ilha de São Miguel, em face do crescimento constante da sua população. Não esqueçamos que só São Miguel tem aproximadamente e a multiplicar-se sempre, cerca de metade da população das nove ilhas.”

 

A amoreira-branca é uma árvore de folha caduca que pode alcançar uma altura de 15 metros e atingir uma longevidade próxima dos 150 anos. As suas folhas são alternas, ovadas a cordiformes, podendo ou não ser lobadas, verde-escuras e brilhantes ficando amarelas no outono. As suas flores, tanto as masculinas como as femininas, são muito pequenas e esverdeadas, não tenho qualquer interesse ornamental. Os seus frutos são de cor creme (na amoreira-negra são negros ou muito escuros)

 

A multiplicação da amoreira pode ser feita por sementeira direta, por estacas, usando as semilenhosas e por alporquia.

 

Para além do interesse ornamental da amoreira, a planta é cultivada pelos seus frutos que são comestíveis e procurados pelas aves. As fibras da casca eram usadas para o fabrico de cordas, mas a principal razão para o seu cultivo deverá ser devido ao uso das suas folhas para a alimentação do bicho-da-seda.

 

No passado a amoreira foi utilizada na tinturaria vegetal. Com efeito, era a partir dos olhos da amoreira-preta que se obtinha o preto.

 

Tal como outras plantas a amoreira figura na toponímia micaelense. São exemplos a Amoreira, na Bretanha, e as Amoreiras, na Ribeira das Tainhas.

domingo, 17 de novembro de 2024

Virusaperiódico (52)

 


Virusaperiódico (52)

 

No dia 14 de manhã, estive nas minhas pesquisas sobre a resistência à ditadura. Estranho que muitos que foram seus servidores aparecem hoje como combatentes pela liberdade. De tarde, tive uma agradável conversa com três alunas da Universidade dos Açores que estão a fazer um trabalho sobre plantas usadas na medicina popular.

 

No dia 15, estive a divulgar nas redes sociais um texto sobre o trágico balanço de touradas à corda este ano. Pelo menos 3 mortes e um número não conhecido de feridos. Uma péssima prática do passado que teimam em preservar.

 

Comecei o dia 16 a ler uma aberrante proposta governamental para o orçamento de estado: IVA para cuidar dos animais- 23%; IVA para torturar animais (touradas) 6%. O mundo às avessas!

 

De manhã, participei numa atividade de voluntariado ambiental no Pinhal da Paz, iniciativa dos Amigos dos Açores. Foram poucos, mas bons, os participantes. Para uma árvore vingar não basta colocá-la na terra, é preciso cuidar dela ao longo de muitos anos. A defesa do ambiente não se faz de pantufas!

 

No dia 17, depois de passear com os cães estive a trabalhar num livro que verá a luz do dia em 2015 e a transplantar algumas pequenas plantas que havia obtido por sementeira. De tarde, voltei a ler William Morris e li o livro, de Luís Machado, “A última conversa- Agostinho da Silva”.

 

17 de novembro de 2024

sábado, 16 de novembro de 2024

Álamo

 


Álamo

 

O álamo ou choupo-branco (Populus alba L.) é uma planta da família Salicaceae originária do centro e sul da Europa, havendo alguns autores que levantam a hipótese de o ser também do norte de África e da Ásia Central.

 

O álamo é uma árvore caducifólia de crescimento rápido, que em média atinge uma altura de 12 a 15 metros.

 

O tronco apresenta uma casca lisa e esbranquiçada. As folhas são alternas e ovais, verdes na face superior e de cor branco-cinza na inferior, e as flores formam amentilhos, os masculinos acinzentados, com estames avermelhados e os femininos esverdeados. Os frutos são cápsulas ovoides.

 

Tudo indica que as duas espécies de álamo; a alba e a nigra, foram introduzidas, na ilha de São Miguel, no século XIX. Mas poderão ter sido antes, como terá ocorrida na ilha Terceira onde já estavam presentes no final do século XVIII.

 

Os dois irmãos Joseph e Henry Bullar, que nos anos 1838 e 1839 estavam nos Açores, ao descreverem no seu livro “Um inverno nos Açores e um verão no vale das Furnas”, Vila Franca do Campo, mencionaram a existência de uma pequena mata onde, entre outras árvores, encontraram álamos.

 

José do Canto, em 1856, já possuía várias espécies de álamos no seu jardim de Ponta Delgada e plantou-os em várias das suas vastas propriedades existentes no Porto Formoso, na Ribeirinha ou na Lagoa do Congro.

 

Nos Açores, os álamos, sobretudo a espécie nigra, foram usados para a divisão de propriedades e como sebes e os seus ramos mais finos eram utilizados para amarrações e para fazer cestos, constituindo também umas excelentes plantas ornamentais. O engenheiro agrónomo Arlindo Cabral, no nº 17do Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, relativo ao primeiro semestre de 1953, sobre o assunto menciona o seguinte:

 

“A ele [Populus nigra] se associa por vezes a hortênsia, a qual preenche a parte inferior mais despida […]. Não toma grande desenvolvimento, pelo que não é usado na defesa de pomares, mas apenas nas terras empregadas m culturas arvenses. Havendo o cuidado de cortar as raízes laterais, esta espécie pouco concorre com as plantas cultivadas sob a sua protecção.”

 

Em 1932, num relatório elaborado sobre o caso florestal do distrito da Horta, no que toca à ilha do Pico pode ler-se que o álamo (Populus alba) era “empregado na ornamentação de parques e na arborização das estradas” (Costa, 1989):

 

Ambas as espécies são usadas, também, na medicina popular, apresentando as mesmas indicações terapêuticas.

 

Augusto Gomes (1992) refere que, na ilha Terceira, “os seus rebentos, em infusão de aguardente ou álcool, servem para desinfectar feridas.”

 

Corsépius (1997), para o choupo-negro, menciona as seguintes propriedades e indicações: “antissética e expectorante- bronquite; febrífuga e sudorífica – febre; digestiva; analgésica-reumatismo; vulnerária-caspa.”

 

Saraiva (2020) refere a presença de exemplares notáveis na Estrada de Circunvalação, no Porto, e na mesma cidade na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação.

 

Na Madeira, Raimundo Quintal (2022), regista a presença de álamos na Quinta Jardins do Lago, no Jardim da Universidade e no Solar dos Esmeraldos, na Lombada da Ponta do Sol.

 

Em São Miguel há álamos em várias localidades, de que destacamos o Pinhal da Paz, o Jardim de Infância, na Rua Prof. Luciano Mota Vieira, em Ponta Delgada, e a Mata-Jardim José do Canto, nas margens da Lagoa das Furnas.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Virusaperiódico (51)

 


Virusaperiódico (51)

 

Comecei o dia de São Martinho, com atividades relacionadas com o ativismo animalista e com pesquisas sobre Lúcio Miranda.

 

Recordo aqui a quadra dedicada àquele Santo que foi transcrita por Manuel Ernesto Ferreira no seu livro “Ao Espelho da Tradição”:

 

São Martinho, meu patrão,

Feito de pau de sanguinho,

Consolai-me esta goela,

C´uma pinguinha de vinho.

 

Acabei o dia com a leitura do romance de William Morris.

 

No dia 12, de manhã, comecei a compilação de textos que darão origem a um novo livro no próximo ano. De tarde, andei por Vila Franca na colheita de bananas e de goiabas.

 

Comecei o dia 13 a alinhavar um texto a ser publicado no próximo número do jornal “Voz Popular”, da Casa do Povo do Pico da Pedra, e a pôr em dia a minha correspondência. De tarde, voltei a ler mais umas páginas da “Seara Nova” e fui a uma consulta médica para análise do motor que de vez em quando dá sinas de velhice.

 

13 de novembro de 2024

domingo, 10 de novembro de 2024

Virusaperiódico (50)

 




Virusaperiódico (50)

 

No dia 9 de novembro, estive em Vila Franca do Campo, na Ribeira Nova. Logo de manhã, tive um encontro não amistoso com as abelhas. Uma ferroada numa mão impediu-me de ajudar nos trabalhos de limpeza de uma área que será plantada nos próximos meses.

 

Com muito prazer recebi a visita de duas irmãs muito interessadas em plantas que recolheram algumas para plantar nas suas terras.

 

No fim do dia, continuei as minhas pesquisas sobre a família Miranda, nomeadamente sobre Lúcio de Miranda.

 

No domingo, depois dos passeios com os cães, voltei a Vila Franca, onde visitei na companhia de um casal estive na Ribeira Nova e na Courela. Verifiquei que começaram a surgir as primeiras goiabas maduras e constatei que tenho na Ribeira Nova plantio de nogueiras e jambeiros disponível para oferecer.

 

No fim do dia, comecei a leitura do último número da revista Seara Nova e voltei a ler algumas páginas do livro “Notícias de Lugares Nenhum”, de William Morris.

 

Umas pessoa amiga enviou-me algumas citações de William Morris. Aqui transcrevo duas:

 

“Não há uma milha quadrada da superfície habitável da Terra que não seja bela à sua maneira, se nós, homens, nos abstivermos de destruir voluntariamente essa beleza”

 

“Não tenham em vossas casas nada que não saibam ser útil ou que não acreditem ser belo”.

 

10 de novembro de 2024

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Virusaperiódico (49)

 


Virusaperiódico (49)

 

Depois de um domingo, sem missa, mas de descanso, a segunda-feira (dia 4) foi passada a realizar trabalhos domésticos e a derreter cera das abelhas. Li algumas páginas do livro de Onésimo Almeida intitulado “Diálogos Lusitanos”. O assunto não me seduz muito, mas aproveitarei as suas sugestões de leitura, nomeadamente de um romance de José Rodrigues Miguéis.

 

Num dia em que queria ir para Vila Franca do Campo e não fui devido ao mau tempo, acabei de derreter a cera das abelhas e estive a consultar vários ficheiros existentes na Torre do Tombo. Voltei a deparar com o nome de António Guilherme Francisco que em 1949 apoiou o General Norton de Matos contra o candidato salazarista. Quase de certeza foi caso único em Vila Franca.

 

Há dias ofereceram-me uma planta (Asclepias curassavica) com o nome comum oficial-de-sala. Depois de um pesquisa na internet verifiquei que é uma espécie invasora em alguns locais.

 

Uma parte significativa do dia 6 foi passada na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a conversar com pessoas amigas, tendo as pesquisas ficado a aguardar por melhores dias. Foi dia de receber prendas, uma das quais um guia infantil sobre Cavidades Vulcânicas dos Açores e a outra ilustrada com gatos. Fiquei a conhecer os dotes artísticos do Paulo Garcia.

 

Hoje, 7 de novembro, acabei a leitura do livro de Onésimo Almeida. Leiam o que ele diz sobre um presidente recentemente eleito. O mundo está assim, cada vez se elege o pior de entre os maus candidatos disponíveis.

 

7 de novembro de 2024