segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Flintintim

 


Flintintim

 

No passado dia 28 de agosto, recebi de uma pessoa amiga, MHC, uma fotografia de um inseto, com a indicação de ter sido a primeira vez por ela observado.

 

Mal o vi, a minha mente recuou sessenta anos e identifiquei imediatamente a espécie como sendo um flintintim, uma borboleta que via na Rua do Jogo da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo, a voar atraída pelas luzes das lâmpadas da iluminação pública.

 

À falta de melhor passatempo, os rapazes capturavam os flintintins. Como estas borboletas possuem uma tromba longa para sugar o néctar das flores mais profundas, atavam-lhes uma linha de costura nessa mesma tromba e percorriam as ruas a fazê-las voar, mantendo-as presas.

 

Numa pergunta que fiz numa das redes sociais, pedi o nome pelo qual era conhecida a borboleta. Para além do nome que eu conhecia, apresento de seguida alguns dos nomes indicados: besouro, borboleta-caveira, borboleta-da-batata-doce, bicho-da-batata-doce, flinto-grande e ferrintintim.

 

O flintintim (Agrius convolvuli) é uma borboleta noturna que, embora normalmente vista ao anoitecer, por vezes pode ser observada de dia.

 

A espécie, de origem subtropical, encontra-se nos Açores desde o século XVI.

 

As larvas da Agrius convolvuli alimentam-se de folhas de convolvuláceas, podendo causar alguns estragos na batata-doce.

 

No meu apiário, localizado na Ribeira Nova, em Vila Franca do Campo, tenho encontrado algumas a tentar entrar nas colmeias para se alimentarem de mel, mas sem sucesso, acabando por ser mortas pelas abelhas.

 

A.H. Botelho comunicou que se lembra «de os ver, depois de mortos, colocados no interior da porta da rua fixos com um alfinete». Segundo Carreiro da Costa, tal acontecia porque se acreditava que, «juntamente com uma ferradura, liberta[va] os donos da casa do "mau olhado"».

 

Aconselho, a todos os que quiserem saber mais pormenores sobre o flintintim, a leitura do livro do biólogo Virgílio Vieira, Borboletas dos Açores: Papilionoidea e Sphingoidea, do qual já saíram duas edições, a primeira em 2006 e a segunda em 2009.

 

Pico da Pedra, 31 de agosto de 2026

 

Teófilo Braga

 

Sem comentários: