segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A Proteção às Aves há quase cem anos


Notas Zoófilas (130)

A Proteção às Aves há quase cem anos

No número 4319 do jornal Açoriano Oriental, publicado no dia 23 de fevereiro de 1918, os leitores daquele matutino puderam ler um interessante, e apesar de tudo ainda atual, texto, da autoria de F. Mira, intitulado “A Proteção às Aves”.

O texto foi publicado com destaque de primeira página, o que mostra a importância que os responsáveis pelo jornal davam a um assunto que hoje seria remetido para uma página interior, portanto sem o relevo que então mereceu.

Nos nossos dias o que conta são os grandes negócios, mesmo que sujos, a porca da política e as desgraças alheias, que infelizmente são os “temas” que fazem vender alguns jornais, uma parte dos quais sobrevivem de subsídios governamentais.

Depois desta introdução, deixamos aos leitores interessados alguns apontamentos deixados por F. Mira.

O autor, depois de citar um naturalista que afirmou que o mundo seria inabitável para o homem dez anos depois do desaparecimento das aves, estanha o facto de, por toda a parte, se destruírem as aves, sob os mais diversos pretextos.

Um dos exemplos apresentados, o primeiro, foi o da coruja que era considerada “um animal nocivo e de mau agouro” e acusada, injustamente, do “crime de beber o azeite das Lâmpadas” e que na verdade são “os melhores caçadores de ratos que se conhecem”.

De acordo com o autor que vimos citando, são alguns insetos os principais inimigos dos agricultores e são precisamente algumas aves os principais aliados daqueles. Como exemplo de aves auxiliares dos agricultores, F. Mira refere que “uma ninhada de carriças consome no ano três milhões de bichos; e o abelharuco, para criar os filhos duma ninhada, mais de 20 000 lagartas”.
Teófilo Braga
23 de janeiro de 2018

Desenho de Geral Le Grand

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