Virusaperiódico (171)
3 de abril
Hoje faltaram-me as forças para ir ao quintal fazer
algumas mondas, tarefa já necessária. Fiquei por casa e dediquei-me à leitura.
Terminei o livro “Caso Insólito: Igreja ou
Centro de Subversão?”, de Octávio Medeiros.
Li ainda o primeiro conto de “Árvore Anciã –
Contos”, de Ricardo Barros. Um texto
notável, que, a meu ver, deveria ser leitura obrigatória nas aulas de cidadania
— ao contrário de certos conteúdos que prefiro nem enumerar.
4 de abril
Graças ao paracetamol, consegui passar o dia
inteiro a trabalhar na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila
Franca do Campo.
Na Courela, limpei bananeiras e tratei das
bananas, além de fazer algumas mondas. Já na Ribeira Nova, para além das
últimas colheitas, visitei as colmeias: as abelhas estão saudáveis e a
aproveitar bem a abundância de flores desta época. Fiz também algumas mondas e
semeei os primeiros girassóis do ano.
No final do dia, ainda tive energia para ler o
segundo conto do livro de Ricardo Barros.
5 de abril
Comecei o dia a rever textos antigos sobre a
Ribeira Seca e a rascunhar novas notas. Espero que venham a ter interesse para
os habitantes da localidade, sobretudo para os mais velhos, guardiões de tantas
memórias.
Dediquei ainda algum tempo ao ativismo ambiental
e à resposta a várias solicitações. Contudo, devido ao cansaço e à necessidade
de concluir projetos em curso, vi-me obrigado a recusar alguns pedidos — pelo
menos durante os próximos três meses.
6 de abril
Dia atípico. Visitei uma exposição de pintura de Florinda Pinheiro, na Junta de Freguesia do Pico
da Pedra. Foi gratificante descobrir mais um talento naquela freguesia.
Por motivos familiares, não consegui fazer nada
de significativo que mereça maior registo. A vida segue, nem sempre como
desejamos.
7 de abril
Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada,
onde consultei o jornal “A Vila”. Fiz
depois uma breve visita ao Jardim Botânico José do Canto, apreciando algumas
plantas em flor.
O resto do dia foi dedicado à escrita e à
reflexão, enquanto aguardava, com inquietação, notícias do cenário
internacional. É difícil compreender como um país que se afirma democrático
pode eleger líderes responsáveis por decisões que conduzem ao sofrimento de
tantos. Infelizmente, a história mostra que não se trata de um caso isolado.
7 de abril de 2026


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