sábado, 25 de abril de 2026

Virusaperiódico (175)

 



Virusaperiódico (175)

 

No dia 22 de abril, Dia da Terra, celebrado com grande aparato por aqueles que, paradoxalmente, contribuem para a sua lenta degradação, vi-me impedido de ir a Vila Franca do Campo trabalhar na terra. Dediquei esse tempo a cuidar da saúde dos animais de estimação que, por escolha própria ou por adoção, fazem da minha casa o seu abrigo.

Entre leituras diversas, continuei a revisitar na memória o período conturbado vivido nos Açores nos anos imediatamente após o 25 de Abril, enquanto avancei na revisão de um livro sobre flores.

No dia 23 de abril, reservei mais algumas horas para cuidar das plantas e retomei a leitura de uma obra sobre o pedagogo António Sérgio. Apesar de dar nome a uma rua no Pico da Pedra, o seu pensamento, sobretudo enquanto defensor do cooperativismo, permanece pouco conhecido.

Na manhã de 24 de abril, comecei o dia com a leitura da correspondência recebida. Entre os textos, destacou-se um de António Eloy sobre o 25 de Abril, que aqui transcrevo:

“Viva o 25 de Abril, sempre!

Só com direitos podemos ter voz e resistir. O direito de respirar, o direito de ouvir e o direito de falar. O direito de defender a terra e o futuro desta. O direito de resistir, de resistir, de resistir.
O direito de gritar com todos os silêncios. O direito de expressão. O direito de negação. O direito de ser solidário. O direito de defender e de ser diferente. Todos, todos os direitos. Isso foi, é o 25 de Abril.”

No dia 25, já cansado das comemorações — onde se misturam os que verdadeiramente acreditam em Abril com aqueles que, de forma dissimulada, tudo têm feito para limitar a participação cívica e política nos Açores — optei por regressar ao essencial: trabalhar na terra. Se o 25 de Abril não servir para vivermos com dignidade e participação plena, então terá sido um esforço em vão. Fascismo nunca mais.

Seguindo o conselho do cardeal, poeta e teólogo madeirense Tolentino Mendonça, dediquei-me a “plantar jardins” no Pico da Pedra e em Vila Franca do Campo — um gesto simples, mas carregado de significado e esperança.

https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls

25 de Abril de 2026

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